7 de out de 2011

Reportagem sobre o Parto Humanizado

Bom dia futuras mamães!!
Olhem só a reportagem que foi publicada hoje em um Jornal de Sorocaba, pela simpatissíssima jornalista "Samira Galli"!
É sobre o Parto Humanizado, onde a protagonista é a MULHER!!!
Samira, obrigada pela dica e parabéns pela reportagem!!

Mulher deve ser a protagonista ao dar à luz

Notícia publicada na edição de 07/10/2011 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 1 do caderno Ela.


Por Samira Gallisamira.galli@jcruzeiro.com.br

Na contramão de uma sociedade que busca todos os recursos possíveis para fugir da dor, a cada dia aumenta o número de mulheres que buscam o naturalismo no nascimento de seus filhos. O parto humanizado critica o uso de tecnologias e procedimentos desnecessários em partos de baixo risco e defende que o nascimento aconteça da maneira mais natural possível. O maior objetivo é devolver o parto à mulher, como afirma o ginecologista, obstetra e homeopata Ricardo Herbert Jones, que trabalha com a perspectiva humanística desde 1986. "Independente de classe social, a mulher no Brasil não tem autonomia, não tem protagonismo no próprio parto", revela.

Natural de Porto Alegre e membro do Colegiado Nacional da Rede pela Humanização do Parto e Nascimento (Rehuna) e de mais quatro instituições internacionais, Jones esteve em Sorocaba na semana passada, no 1º Encontro de Humanização do Parto em Sorocaba, realizado pelo Movimento de Apoio a Humanização do Parto em Sorocaba (Mahp) no auditório da PUC/Sorocaba. Também participaram do encontro a enfermeira obstetra Priscila Maria Colacioppo, que há sete anos atende parto domiciliares pela Ong Primaluz e a ginecologista Mariana Simões, pioneira na humanização do parto hospitalar na cidade de Campinas. "O parto hoje é tirado da mulher. A gente tem que mudar a visão, passar a ver que faz parte do processo natural, fisiológico dela. Faz parte do ciclo feminino", destacou Mariana.

Para Jones, a obstetrícia no Brasil é atrasada em relação aos países europeus, do ponto de vista conceitual. "Um bom hospital de São Paulo vai ter a mesma estrutura de um hospital de Nova Iorque e de um europeu. Mas o debate brasileiro é um debate atrasado, centrado na figura do médico, no hospital e nas doenças", destaca. Jones explica que esse atraso é reflexo de anos da prática de um modelo importado dos Estados Unidos, onde o parto está centrado na figura do médico e não da gestante. "Aqui, a paciente é tratada como coisa, como objeto inanimado, que não tem voz, não tem vez, não tem opinião e não pode decidir sua própria história", defende.

O médico explica que alguns médicos veem a mulher como doente e acreditam que ela é incapaz de decidir o que considera melhor. "Só se for através daquilo que o médico pode lhe oferecer. O que ele achar melhor. E como os médicos são profundamente treinados para o uso dessa tecnologia, eles acabam desviando o olhar da fisiologia e prestando atenção demais na patologia. Ele transforma toda parturiente em uma doente e, acima de tudo, incapaz."

Jones e a ginecologista Mariana enfatizam que a mulher possui sim a capacidade de escolher o melhor para ela e o bebê, mas é preciso se informar. "A mulher tem capacidade para escolher o que é melhor para o parto dela, mas o sistema não permite muitas escolhas. Então elas ficam impostas às normas hospitalares. Mas é a mulher que deve estar no comando. O médico não faz o parto, ele assiste e auxilia", diz Mariana.Para os defensores do nascimento natural, o parto ideal é o que tem a atenção humanizada, que precisa de um tripé para funcionar adequadamente.

O primeiro pilar - e o mais importante, segundo Jones - é a restituição do protagonismo do parto pela mulher. Em segundo lugar, é preciso ter uma atenção integrativa e holística do nascimento. "O nascimento possui aspectos psicológicos, espirituais e emocionais. Não simplesmente as visões biologicistas, fisicas e mecânicas", explica. O terceiro e último é a vinculação da medicina baseada somente em evidências. "O parto que tem esses três elementos, em que a mulher é protagonista, que é entendida como um todo e as condutas utilizadas nela forem baseadas em evidências, não em procedimentos de rotina, é o ideal."

Jones comenta que em todos os lugares do mundo onde o cenário doméstico é ignorado, os índices de mortalidade e perionatal são maiores. Na outra ponta, todos os lugares onde se trabalha com maior número de parteiras, os índices são melhores. Mas ele explica que não é por isso que a humanizaçao no nascimento signifique a desvalorização da tecnologia. "Pelo contrário, na verdade, a humanização é uma síntese de dois paradigmas: de um lado a tecnocracia e de outro o naturalismo. É possível unir os dois, mesmo porque a tecnologia sempre é bem vinda, mas quando necessária."

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